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Notícias do setor de Embalagens
14/8/2007 00:00:00

Indústria do plástico fecha 2006 com faturamento aquém do esperado

Para 2007, as perspectivas são de um crescimento pífio, beirando a estagnação.

A indústria brasileira do plástico fechou 2006 com um faturamento bruto total de R$ 37,5 bilhões, ou seja, 3,17% a menos que os R$ 38,7 bilhões faturados em 2005. De acordo com levantamento da área econômica da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), o cálculo em dólar revela uma receita bruta de US$ 17,24 bilhões, o que configura um aumento de 8,14% se comparado aos US$ 15,9 bilhões apurados no ano anterior. Segundo a entidade, a principal razão para essa diferença é a valorização da moeda nacional em relação à norte-americana.

O balanço do setor foi divulgado pela entidade no início de fevereiro e incluiu ainda o consumo de resinas termoplásticas no ano: 4,68 milhões de toneladas de resinas termoplásticas, 12,63% a mais que em 2005. O consumo aparente nacional de resinas ficou em 4,09 milhões de toneladas, registrando, assim, um aumento de 10,25% em relação ao consumo do ano anterior.

Quanto à balança comercial do setor, embora tenha havido crescimento na importação e na exportação, o saldo continuou negativo. Em 2006, as exportações de transformados plásticos totalizaram US$ 1,10 bilhão (13,39% a mais que 2005); as importações totalizaram US$ 1,44 bilhão (aumento de 17,7% em comparação ao ano anterior). Com isso, o saldo negativo na balança do setor subiu de US$ 258 milhões, em 2005, para US$ 344 milhões no ano passado.

Os números divulgados pela Abiplast também mostram que, em volume, a produção total de transformados de plástico em 2006 foi de 4,17 milhões de toneladas, que representam um crescimento de 10,89% em relação a 2005. Nesse cálculo não está incluída a transformação de PET. Com base nesse dado, chega-se a um consumo per capita de plástico no Brasil de 21,78 kg, volume que tem se mantido estável desde 2000.

Para Merheg Cachum, Presidente da Abiplast, os números apontam para uma direção: "o setor continua estagnado em uma situação que se arrasta há três anos". As principais justificativas são a depreciação do câmbio, o fato do Brasil ter uma das maiores cargas tributárias do mundo e a permanência de uma das maiores taxas de juros reais do planeta, mesmo com a recente tendência de queda. "Não é possível manter competitividade suficiente para concorrer com produtos de outros países arcando com os custos brasileiros", afirma Cachum.

O presidente teme que, caso o quadro não seja revertido, a indústria caminhe para um processo de "desinvestimento" e "desindustrialização" que comprometerá, ainda mais, a competitividade das empresas brasileiras e o crescimento econômico do País. A invasão de produtos plásticos importados, especialmente da China, é outra forte ameaça. De 2005 para 2006, o país aumentou em 80% sua participação nas exportações para o Brasil.

"Alguns estudos já comprovam a perda de competitividade da indústria brasileira", lembra Cachum. Um recente levantamento feito pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) revelou que a média do Índice de Competitividade (IC) do Brasil entre 1997 e 2004, foi de 19,1 pontos, em uma escala de 0 a 100. Esse nível fica muito aquém da média de todos os 43 países pesquisados, que é de 53,4 pontos. Ela é inferior, inclusive, à média obtida pelos 11 países com o nível mais baixo de competitividade apurado no mesmo intervalo de tempo, que ficou em 22,9 pontos.

Outro forte entrave para a competitividade brasileira é o preço da resina termoplástica. "Em média, o preço praticado no Brasil é entre 27% a 32% maior que o preço internacional." Por tudo isso, Cachum não prevê um 2007 muito animador. Segundo o Presidente da Abiplast, a tendência é manter um crescimento pífio – ao redor dos 3%, beirando a estagnação.


Crédito: Liliam Benzi





Fonte: Estadão (RSS)

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